Quando finalmente dizemos: “Chega!”

Quando finalmente dizemos: “Chega!”

Aos 36 anos posso dizer, com a relativa convicção de quem já se enganou muitas vezes, que na vida muito pouca coisa é garantida.

Mesmo as coisas que consideras a tua base, o teu centro, a tua âncora, mesmo essas, podem deixar de existir de um minuto para o outro. Até tu e os teus atributos mais fortes podem simplesmente deixar de estar aí ao teu dispor como estiveram até agora. Puff. Gone.

Sou uma pessoa de sorte. E acho mesmo que, até hoje, a vida me deu mais oportunidades do que sofrimento. Mas já tive uma cota parte de momentos de total confusão. Já me senti muitas vezes a ser atirada contra as paredes pela vida e assim que me tentava levantar era atirada novamente para o chão.

Já me senti sem controlo nenhum sobre o que me estava a acontecer, sem ponta por onde pegar para começar a resolver o que quer que seja. Já me senti numa máquina de lavar. Já me senti sem norte, sem chão, sem guia. Já me senti totalmente nas mãos da vida, à mercê daquilo que o destino quisesse para mim.

Já estive assim semanas. Já estive assim meses. Já estive assim anos. Mas há um momento, depois de cada uma dessas fases, em que no meio do barulho ensurdecedor, no meio das ordens gritadas dos acontecimentos à minha volta, no meio da anarquia que tenho no meu centro … há um momento em que eu anuncio a minha sentença e digo: “CHEGA.”

Não sei o que é que esse “Chega.” tem, mas quando vem faz-se silêncio. Como se toda a minha desordem interior fosse aspirada para dentro de um buraco negro. O burburinho pára. O sofrimento pára. A confusão pára. Silêncio.

A partir desse “Chega.” começo novamente a tomar o controlo sobre as coisas. Hoje sei que a confusão em que me encontro em cada um desses momentos é apenas o reflexo de me estar a recusar de ver a verdade, os factos, o que é. Mas quando ganho a coragem de os ver, nesse momento, já sei o novo caminho. Posso não gostar dele, mas é o que é.

Esse realismo traz-me de volta ao meu centro, à minha sabedoria interna, àquela pessoa, dentro de mim, que sabe tudo. Esse “Chega.” sou eu a dizer que, a partir de agora, quem manda sou eu.

Muito pouca coisa é garantida na vida, é verdade. Nem eu, nem tu, nem ninguém. Mas se houver um ranking, um pódio, esse “Chega.” foi sempre das coisas mais garantidas que encontrei. Ele pode demorar, ele pode estar longe, ele pode falar muito baixo. Mas há um dia em que o teu “CHEGA.” chega.

Que esse dia seja hoje 😉
Jo 💙