Medo de desiludir os pais, mesmo em adulta

Medo de desiludir os pais, mesmo em adulta

Aos poucos estou a ver revelar-se um novo propósito para mim. Uma nova missão que considero importante, uma nova mensagem que quero deixar, como pozinhos mágicos, nos pensamentos das pessoas.

É incrível como é das coisas mais frequentes com que me deparo no meu trabalho com os meus clientes. A prisão em que se encontram perante a ditadura de uma qualquer figura paternal ou maternal nas suas vidas.

O mais óbvio é quando essa figura é representada pelos próprios pais. Homens e mulheres adultos que ainda se encontram reféns das regras, exigências e caminhos definidos pelos seus progenitores. Querem viver as suas vidas, mas não conseguem. Não conseguem porque não suportam a ideia de que os pais não aprovariam tal irreverência. Talvez não fosse um desaprovar verbal, nítido, claro, mas certamente um desaprovar silencioso, uma energia que fica no ar com cheiro de rejeição.

A ideia de os desiludir, enfrentar, contrariar é tão dolorosa para eles que preferem definhar debaixo das suas asas. Dar um pequeno passo para encontrar a liberdade de descobrir quem são, seria um confronto, um atrevimento, um insulto. E então assim vivem durante anos, que depressa se transformam em décadas, numa transfusão de sangue inconsciente em que ambos, pais e filhos, sobrevivem à base da energia vital uns dos outros. Na verdade isto não é viver. Mas ninguém sabe. E apesar de inconscientemente sonharem com a hipótese de viverem em liberdade, ali ficam numa prisão perpétua. É assim que é.

Depois há os casos menos óbvios em que essa figura paternal ou maternal ditadora e sufocante é desempenhada por um sogro ou uma sogra, por um/a chefe ou mentor/a, por um marido ou uma mulher. O cenário é exatamente o mesmo. Quero viver a minha vida nos meus termos, mas como isso implica evidenciar as nossas diferenças, não consigo fazê-lo. Como isso implica uma nova definição de papéis, não consigo fazê-lo. Como isso poderá implicar remoção do amor que recebo dali, não consigo fazê-lo. Como isso implica responsabilizar-me pela minha própria vida, não consigo fazê-lo.

A ideia que costumo passar é a de que não houve uma adolescência bem feita. Não houve um período em que me permiti rasgar com as regras que o coletivo me impôs e descobrir os meus próprios limites. Esse grito do Ipiranga nunca chegou. Certamente não chegou no momento certo para isso, entre os 13 e os 19 anos de idade e depois fica muito mais difícil. É possível! Mas muito mais doloroso.

Mas para que haja processo de crescimento esse momento tem de chegar. Não tem de ser uma ruptura. Não vou deixar de amar e querer as pessoas que ocupam esse lugar paternal ou maternal para mim. Dizer-lhes que quero ser a minha própria pessoa não é uma rejeição da pessoa que eles são. É apenas um abraçar da pessoa que eu sou. E, sinceramente, é o princípio de quase tudo na vida.

Se te sentes num cenários destes, parabéns! Já tens consciência do que se está a passar. Agora tens uma grande oportunidade. Começa devagar, respeitando o teu ritmo, mas começa. O teu caminho não se vai trilhar sozinho. E esse caminho que tens feito até agora, esse não é o teu. O teu, aquele que só tu podes desenhar, esse ainda está à tua espera.

Quando te permitires a essa valentia, acredita, vais viver uma aventura fantástica.

Estou à tua espera!
Jo 💙