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Furiosa por não ser mais forte

Furiosa por não ser mais forte

Esta semana deparei-me com os meus limites. Odiei cada segundo e, ao mesmo tempo, estou a adorar cada segundo.

Apesar de estudar estes temas há tantos anos, não consigo deixar de me surpreender quando aquilo que aprendi na teoria se verifica, uma e outra vez, na prática quando o vivo na minha vida.

Uma dessas concepções teóricas que aprendi profundamente quando comecei a estudar psicologia analítica é o tema dos opostos. O aspeto dual das coisas, como tudo pode ser bom e mau, ao mesmo tempo. Acho este tema fascinante e, mesmo quando tenho dificuldade em perceber como se aplica a uma determinada situação, sei que ainda me falta ver o outro lado da história. E esse lado existe. Existe sempre.

Esta semana este tema revelou-se na minha vida novamente. Estava a ficar com o “barco cheio” e, por causa disso, estava a começar a “afundar”. Nesse momento percebi que tinha de começar a retirar coisas do barco. Olhei para essas coisas e adorava cada uma delas. Fiquei furiosa com o meu barco por não ser maior, mais forte, mais resistente. Mas depois da fúria tive de ser humilde e admitir que o meu barco (ou seja eu), não consegue tudo.

Não sei o que é que é, mas, de vez em quando, convenço-me de que consigo tudo   ahahahahaha, apenas para passado algum tempo me lembrar de que sou humana e tenho limites. Isto repete-se na minha vida constantemente. Ai! Cabeça dura!!!!

Ora quando me passou a furia e dei lugar à admissão de que não consigo tudo, comecei a olhar para o que tinha no barco e que poderia adiar para mais tarde. Nesse momento, quando deixei coisas em terra e levei apenas o essencial, ao mesmo tempo em que me sentia desiludida comigo por não ser maior e mais forte, senti … um alívio enorme.

Aqui está ele. O outro lado da história. Por um lado desilusão, fúria, tristeza, vergonha de não conseguir. Por outro lado leveza, alívio, foco, certeza. Os dois lados, ao mesmo tempo.

Não estou com isto a dizer que deves ver o lado positivo das coisas. Muito menos que devas só ver o lado positivo. Nem é uma perspectiva que defenda. Quanto muito estou a dizer o oposto disso. Estou a dizer que podes ver os dois lados. Mas sinceramente, quem sou eu para dizer o que deves ou não deves fazer. O que podes ou não podes fazer. Eu não sou tu. Eu não estou a viver o que tu estás a viver. Sei lá!

Mas como eu sou eu, posso falar de mim. E eu percebi que posso ver os dois lados a coexistir ao mesmo tempo. Posso não conseguir sempre, mas eles existem. Os dois lados. O lado bom e o lado mau. Ambos. Posso observar cada momento como uma obra de arte que pode ter, ao mesmo tempo, tanto de aterrador como de belo.

Este é o poder do pensamento simbólico. Ver para além do literal. Ver para além do que é. Ver também o que pode vir a ser.

Desejo-te um lindo dia, cheio de momentos duais.
Quanto a mim, vou remando por aí com o meu barco meio vazio. Ou talvez meio cheio. Ambos 

Jo 

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