Eterna insatisfeita

Eterna insatisfeita

Já te chamaram de “Eterno/a insatisfeito/a”?

A mim também 🙂

Durante muitos anos da minha vida, considerei que esse era um defeito meu. Nunca estava satisfeita e, por isso, estava destinada a viver uma vida de inquietação constante e a nunca desfrutar realmente do que tinha.

Via os meus amigos, nas suas vidas, todos contentes e perguntava-me: “Como é que eles conseguem?”

Depois passei por uma fase em que comecei a achar esse comentário um insulto. Eterna insatisfeita, o tanas! Estou insatisfeita agora, com estas duas ou três coisas, e isso não quer dizer nada sobre o meu carácter ou personalidade. Eu não SOU insatisfeita. Eu ESTOU insatisfeita. Ponto final! Nessa altura percebi que, por norma, quando me diziam essa frase era porque na verdade não lhes era muito conveniente que eu mudasse. Mas isso fica para outro post 😉

Agora quero falar-te do que aconteceu de seguida … quando mudei as coisas com que estava insatisfeita … SURPRESA: Passei a estar satisfeita. LOL

Verdade! Mas essa é apenas metade da história. É que, mesmo estando mais satisfeita, há sempre pequenas coisas de que não gostamos muito. E isso, sim, é eterno. Vai sempre haver uma coisinha ou outra de que não vamos gostar, seja em que contexto for. E essa coisinha ou outra vai ganhar maior ou menor relevância consoante a atenção e importância que lhe damos.

Por isso, a verdade é que foi necessário fazer ambos os percursos. Mudar aquilo com que estava insatisfeita para algo melhor E, ao mesmo tempo, passar a SER uma pessoa mais satisfeita.

Na aula sobre a Jornada do Herói do meu curso de Coaching Arquetípico falo, entre outras coisas, das funções da mitologia. A sua primeira função é conciliar-nos com o facto de que a vida tem um lado trágico, um lado difícil, um lado menos bom.

Acredito que aceitar isso faz parte da maturidade que vamos atingindo ao longo da vida e das batalhas a que vamos sobrevivendo. Aceitar as coisas como elas são, boas e más. E, por outro lado, não só aceitar, mas mesmo apreciar por ser assim mesmo.

O chamado Amor Fati de que Nietzsche nos falava. Desde que ouvi essa frase fiquei apaixonada. Amor Fati, amor ao fado, ao destino, à realidade que é. E não à realidade que gostaríamos que fosse.

Acho que esta é mais uma das vantagens de envelhecer. Percebermos a vida desta forma mais completa.

Resumindo: Muda a tua vida para melhor e, ao mesmo tempo, aceita a tua vida como ela é.

Tem uma linda semana, cheia de fantásticos paradoxos.

Jo 💙